Ciência para todos
Análise da situação contemporânea das ciências sociais no Brasil e a necessidade de buscar soluções adequadas para o futuro.
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Iniciado por Círculo Brasileiro de Sociologia 24 Ago, 2011. 0 Respostas 0 Curtiram isto
Com este tópico queremos receber notícias, trocar experiências e debater acerca da produção científica em ciências sociais no Brasil.Sabemos que são muitas as questões, levantaremos alguns pontos…Continuar
Comentário de Círculo Brasileiro de Sociologia em 16 agosto 2011 às 16:54 O desenvolvimento tecnológico é uma demanda imperativa para o Brasil atual. Entretanto, acreditamos que tal desenvolvimento requer, para além das questões técnicas e de gestão, um debate acerca dos seus efeitos sociais em curto, médio e longo prazo. As ciências sociais precisam estar atentas aos novos problemas de uma sociedade em rápida transformação, propondo de modo adequado soluções sociologicamente viáveis e economicamente sustentáveis.
Como definir a tarefa profissional do Cientista Social?
Buscar compreender a Sociedade em que vive ou que escolheu para estudar, suas organizações sociais, suas relações de poder estabelecidas e seus universos culturais próprios, é o objeto prioritário do Cientista Social. As sociedades humanas constituem-se num espaço de construção do ser humano como agente histórico e entendê-la, em suas relações, é o fundamento de qualquer transformação que queira reconstruir os modelos alternativos de sociedade. Nos limites de sua consciência crítica cabe ao Cientista Social assumir o papel intelectual de agente desestruturador e reestruturador dos princípios sociais, pois não pode restringir seu papel a interpretar a realidade, mas, fundamentalmente de transformá-la.
Comentário de Círculo Brasileiro de Sociologia em 16 agosto 2011 às 18:59 Talvez a importante questão que você levantou de definir a tarefa do cientista social seja inadequada agora. Se vamos nos dirigir a um debate com os nossos colegas cientistas das outras áreas, achamos precipitado demonstrar que supostamente sequer sabemos o que somos ou o que devemos fazer. Perceba que não estou fazendo uma censura - embora eu discorde dessa relação entre interpretação e intervenção - sugiro apenas que seria mais interessante para o propósito deste grupo levantar problemas sociais contemporâneos do Brasil e - este sim o passo fundamental - conseguirmos, coletivamente, formulá-los como genuínos problemas sociológicos.
E a formulação sociológica de um problema social envolve, como você bem colocou, os processos históricos, os agentes e as instituições, a correlação de forças entre eles, em suma, todos os processos de interdependência entre os indivíduos de uma determinada configuração social.
Comentário de Leonardo da Hora em 16 agosto 2011 às 21:39
Comentário de Marcelo Pita em 18 agosto 2011 às 0:06 Caros, sou engenheiro da Computação; concluí um mestrado em modelagem e simulação social baseada em agentes.
Desde o princípio percebi que há uma crítica muito forte direcionada às ciências sociais (extensíveis para as ciências humanas) relacionada à dificuldade de se aplicar um método científico, objetivo, para investigação dos fenômenos sociais. Aparentemente há uma carência de modelos matemáticos plausíveis que permitam o estudo não intrusivo de sociedades.
Gostaria de saber a opinião de vocês, cientistas sociais, sobre estas críticas. Não podemos negar que elas (as ciências sociais) são essenciais para nosso desenvolvimento humano. Como foi tocado no ponto da credibilidade, entendo que esta crítica sobre método e modelos esteja no cerne da questão.
Comentário de Leonardo da Hora em 18 agosto 2011 às 11:22 Pessoal,
relendo meu post vi vários problemas de redação, devido à rapidez com que o escrevi.
No entanto, em relação à sua parte final, acho que há um erro digno de correção, pois faltou uma palavra. Na parte que digo "Afinal, e se não quiséssemos mais nossos valores e as regras do jogo do capitalismo (ou do que queiram chamar!) contemporâneo?", esqueci de incluir o verbo da oração. Leia-se então: Afinal, e se não quiséssemos mais questionar nossos valores e as regras do jogo do capitalismo (ou do que queiram chamar!) contemporâneo?
Obrigado
Comentário de Círculo Brasileiro de Sociologia em 18 agosto 2011 às 11:49 Ao Leonardo da Hora:
Prezado, o Círculo Brasileiro de Sociologia reitera suas palavras pois o nosso espírito de debate está eivado da necessidade de crítica que você descreve. Achamos que, se um espaço como este foi criado, alguma possibilidade debate crítico ainda há. Então vamos ocupá-lo! Cordiais Saudações.
Comentário de Círculo Brasileiro de Sociologia em 18 agosto 2011 às 11:58 Vamos por partes.
Ao Marcelo Pita:
A idéia de que as ciências sociais não dispõem ou seriam carentes de modelos matemáticos plausíveis (em negrito como colocou) é uma opinião do século XIX quando, na Alemanha, debatia-se se a diferença de "natureza" entre os objetos das "ciências da natureza" e das "ciências do espírito" (como eram então denominadas) o que, supostamente, demandaria dois métodos diferentes: um método explicativo (ciências da natureza) e um compreensivo (ciências do espírito). Para todos os familiarizados com este debate, sabe que isto é um rápido esboço e muito mais precisaria ser dito, inclusive a tentativa de Max Weber de articulação dos dois: "compreender interpretativamente para explicar causalmente", etc.
Atualmente o que temos é o seguinte: uma verdadeiro "escândalo", como sugere John Goldthorpe. De um lado temos teorias e métodos quantitativos extremamente refinados, com todos os testes econométricos para cientista nenhum colocar defeito mas, infelizmente, com pouca reflexão teórica crítica e interpretativa da realidade. De outro lado, temos uma sociologia excessivamente hermenêutica cuja exegese dos autores e conceitos acaba, em algumas situações, por descolá-la da realidade. A oposição entre essas duas formas de construção do conhecimento não é uma coisa restrita ao campo e sub-campos das ciências sociais. Mesmo nas ciências "exatas" tal oposição
Comentário de Círculo Brasileiro de Sociologia em 18 agosto 2011 às 12:00
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